quarta-feira, 2 de março de 2011

O carnaval tem sentido actualmente?

Se tivermos em conta que o carnaval surge, independentemente de várias influências e circunstancias históricas, ligado à Quaresma e o que isso significava de penitencia, interioridade espiritual; a resposta é óbvia.

E surgem imediatamente algumas questões…

Que interioridade há, actualmente? Que disponibilidade para a reflexão? Que tempo disponível e com qualidade a vida permite?
Sem procurar respostas, acrescento apenas, que a matéria humana, não mudou em mil anos, nem em dois mil.

A necessidade de uma espiritualidade activa, alimentada, mantêm-se. E isso é constatável, por exemplo, na explosão de igrejas cogumelo. No número crescente de videntes/astrólogos, gurus, para todas as bolsas e gostos. Apenas, por razões diversas que não irei abordar, a aceitação/autoridade das Igrejas com “tradicionais” estão menos na “moda”, não significando isso, obviamente uma menor cedo do espiritual e da transcendência.

É no entanto indispensável assinalar que o papel de puro momento lúdico do carnaval, não deve sofrer alterações, nem se encontre nenhum pretexto para se argumentar uma inutilidade da época. Mais ainda num momento de depressão colectiva.

Resta então, não retirar a razão destes dias, mas sim reforçar de facto o papel, além do estritamente eclesiológico, da Quaresma como momento privilegiado para a introspecção individual na acção de cada um consigo e com os outros.